




Clube de Campo do CNEMA
Santarém, Portugal · 1995
Projecto de Clube de Campo, Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas
Menção Honrosa, Prémio Architecti 1995
O surgimento em Santarém de um Parque de Exposições destinado a um mercado Agrícola a (CNEMA) velo criar uma vasta 'área a Poente da Cidade, redefinindo o limite deste centro urbano, tradicionalmente implantado - sobre um cabeço.
Associado a este Iniciava desenvolveu-se a Ideia de conceber um espaço aberto que, dotado de equipamentos ao ar livre, permitisse introduzir uma de alternativas recreativas na cidade, integrando simultaneamente o projecto do CNEMA já executado, no espaço envolvente.
O programa definia um conjunto de estruturas a Integrar na composição, o jardim infantil, a piscina, o lago, o jardim infantil, a tenta e o campo de tiro, as quais na sua unidade deveriam poder funcionar de uma forma independente e estabelecer relação privilegiada com o parque de exposições.
A região de Santarém é dominada por cabeços da crista suave e arredondada que se destacam claramente na plantação regrada de olivais e por linhas de agua, assinaladas nas copas alongadas da choupos, maciços de freixos e ou salgueiros.
Os aglomerados urbanos instalam-se estrategicamente ocupando as linhas marcantes do relevo, ora sobre os festos dominando as vistas sobre a lezíria, ora desenvolvendo-se linearmente, em pleno vale.
A identidade deste revela-se sobretudo nesta organização territorial simultaneamente, tão óbvia e "intuitiva” quanta racionalizada preconcebida.
O Projecto do clube de campo propõe, precisamente recrear esta potencialidade e particularidade do sítio. Os elementos arquitectónicos enfatizam os pontos dominantes do relevo, que assumidamente se preservou. São consequência desta atitude a grande plataforma onde se Implanta a Casa de Chá. O Campo de Tiro e o Jardim de Aromáticas orientados nas belas perspectivas sobre o Rio Tejo e a Cidade. Em plena linha de drenagem natural a Ribeira que segue a direcção Nascente/Poente quase totalmente aterrada pela construção do Parque de Exposições, só surgindo a céu aberto quase no limite dos terrenos do CNEMA. A história da Ribeira,. cujo percurso original foi Ignorado, é aqui adquirida concebendo-se recriar a sua Imagem agora expressa de uma forma mais artificial e controlada.
A Água, na sua origem vai espraiar-se num grande tanque/espelho de água. Limitado, a Sul, por um passeio sobrelevado que escolheu a inclinação da antiga ribeira e, com essa lógica, vai alimentar todo o sistema. Sucessivamente, à medida que se vai confrontando com obstáculos e estruturas, que se organizam em tomo do anel central. A água vai adquirindo formas menos “domesticadas “ até chegar lago, no momento preciso em que a antiga ribeira retoma o seu caminho original.
No vale, uma maior densidade de elementos construídos entra em diálogo com a ordem mais rígida e geometrizada do projecto preexistente, recuperando algumas das suas linhas geradoras.
A frequência de elementos arquitectónicos vai diminuindo a cada passo à medida que nos aproximamos dos cabeços e se refazem as relações com o Espaço da Paisagem envolvente.
Os caminhos diversificados na pontuação das plantações arbóreas e na sua Forma de implantação, tanto encaixada quanto sobranceira e dominante, são soalheiros ou ensombrados, misteriosos ou imediatos, permitindo articular espaços de carácter igualmente distinto: fechados e íntimos, abertos e contemplativos, concentrados e dinâmicos. A unidade destes espaços de identidade muito própria surge na atitude da interpretação do sítio.