

















Jardim da Cerca de São Bernardo
Coimbra, Portugal · 2003
com João Mendes Ribeiro Arquitecto
Requalificação do Pátio da Inquisição, Ala Poente do antigo Colégio das Artes e Cerca de S. Bernardo
Concurso público — 1º Prémio
O jardim projectado para a antiga Cerca de São Bernardo insere-se num plano global o qual prevê articular alguns espaços da cidade ancestral, em particular o antigo Colégio das Artes, convertido em Centro de Artes Visuais e o Pátio da Inquisição. A intervenção tem um propósito cultural integrado, relacionando um conjunto de espaços situados no centro histórico de Coimbra, colocando em contacto um interior de quarteirão com um eixo urbano principal - Rua da Sofia – e, concorrendo igualmente para a clarificação de algumas relações entre a parte baixa e alta da cidade.
Na intervenção do Jardim da Cerca de S. Bernardo destacam-se ideias conceptuais consideradas fulcrais tanto no sublinhar do legado como na recreação da sua identidade: a continuidade da sua definição tipológica, enquanto cerca, mantendo e recuperando o muro que encerra o espaço; a continuidade da presença da água que, se torna no elemento gerador de toda a composição; a manutenção das linhas fundamentais da sua estrutura ortogonal e desenvolvimento em patamares; a preservação da rusticidade da vegetação, que caracteriza as cercas conventuais.
A massa de vegetação é contida por expressivos muros de alvenaria de pedra e limitada, a Poente, por uma enorme peça de água, que constitui toda a frente do jardim. Reforçando a ideia de espaço encerrado, de fronteiras claramente definidas, reconstroem-se portas que privilegiam a relação com o Edifício do Colégio das Artes e asseguram as principais articulações urbanas. O espaço organiza-se segundo duas direcções privilegiadas – uma, que é determinada pelo eixo central do jardim, e outra, que lhe é transversal, paralelamente à Rua da Sofia, articulando o conjunto.
O jardim desenvolve-se em patamares pronunciados, sendo estes sucessivamente mais suaves, atenuando o ritmo e conferindo-lhe, dinâmica e fluidez Esta sucessão é rematada com uma peça de água, respondendo à expectativa criada pelo grande declive e funcionando, simultaneamente, como superfície de transição entre o jardim e a edificação. O espaço encerra também outras leituras relacionadas com os patamares laterais. É possível percorrê-lo, ao longo dos socalcos verdes, ou escolher os patamares mais elevados, adoçados aos muros limite. Ultrapassando a situação de encerramento estes permitem uma visão mais ampla, quase aérea, prolongando-se por um passadiço sobrelevado sobre a peça de água ou relacionando o jardim com a paisagem envolvente.